John no Divã de Frëud

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Filho de marinheiro mercante, Freddie, com uma boêmia, Julia, John Lennon teve a infância marcada pela ausência prolongada do pai, a aberta infidelidade da mãe e as brigas constantes dos dois. Aos seis anos, num episódio que o marcaria profundamente, teve de escolher entre a mãe (que já vivia com um amante) e o pai. Ficou com ela, mulher sedutora e bonita, mas emocionalmente incapaz de criá-lo – Julia praticamente o deu para a irmã, Mimi, uma matrona fria e cauculista, que o criou como se fosse seu.

O que há de mais interessante na biografia escrit por Norman é justamente esse panorama da juventude de de Johnna cinzenta Liverpool do pós-guerra. Vivendo uma vida burguesa de privilégios – corteia da tia Mimi-, mas irreversivelmente atraído pela rudeza das docas, Lennon cresceu obcecado pela leitura surrealista de Lewis Carroll, pelo humor anárquico dos programas de rádio de Spike Milligan e Peter Sellers e pelo rock’n’roll primitivo de elvis Presley, Chuck Berry e Little Richard. O resultado foi um jovem dotado de senso de humor corrosivo, uma língua ferina e um profundo desrespeito por qualquer tipo de autoridade.

Norman, que já havia escrito uma ótima biografia dos Beatles “Shout”, não se furta a esmiuçar os detalhes mais delicados da vida de Lennon. Entrevistando vários amigos e desencavando antigas entrevistas, o autor reconta como, aos 14 anos, deitado na cama da mãe, ele acidentalmente tocou o seio da mãe. “Eu me perguntava se devia fazer algo mais”, disse John Lennon. “Sempre achei que devia ter feito. Presumivelmente, ela teria permitido.”

Freud teria um prato cheio com John Lennon. Além do complexo de Édipo e da total ausência de uma figura paterna, ele viu quatro de suas pessoas mais queridas morrerem de forma violenta e inesperada: primeiro seu tio George, marido de Mimi, depois, a mãe, Julia, atropelada quando ele tinha 17 anos. A lista de fatalidades continuou com Stu Sutcliffe, baixista de uma das primeiras formações do Beatles e grande ídolo do líder da banda, e com Brian Epstein, o jovem e brilhante agente dos Beatles, morto de overdose, com quem Lennon supostamente teve um rápido caso amoroso.

A história do surgimento, ascensão e queda dos Beatles, embora contada mil e recontada mil vezes, é sempre emocionante. As orgias e bebedeiras dos primeiros shows em Hamburgo, a explosão da Beatlemania, o apogeu criativo com os revolucionários álbuns Rubber soul (1956), Revolver (1966), e Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (1967), as brigas com Paul e George, o romance com Yoko Ono, o fim dos Beatles, a carreira solo, tudo é contado po norman em riqueza de detalhes. Claro que alguns fãs – e os Beatles, mais do que qualquer outra banda, têm admiradores xiitas- vão reclamar de omissões ou supostos ataques a Lennon. Mas no geral, o livro é fabuloso e uma leitura fácil. Apesar de seu tamanho enciclopédia – mais de 800 páginas.

Lennon sai da história não como super-herói, e sim como um sujeito inseuro, por vezes violento e venenso, mas também capaz de gestos de extrema bondade, dono de um talento criativo sem igual e de uma coragem incomparável para exorcizar seus demônios em público, por meio da música. Depois de colaborar por três anos com o autor Philip Norman, Yoko Ono rejeitou a biografia. “O livro é maldoso com John”, disse a viúva de Lennon. O estranho é que Norman é até bem simpático com ela, rejeitando a teoria simplista de que Yoko destruiu os Beatles e mostrando-a como uma mulher corajosa e determinada, uma artist consagrada que cativou Lennon. Além de Yoko, o autor contou com a ajuda de Paul McCartney, que concedeu longas entrevistas por e-mail.

É galera, longos livros, muitas histórias, controvérsias, irreverências e etc… Se não fosse músico, provavelmente seria um psicopata! Se não foi de um planeta desses por ai, talvez não seja daqui também. O fato é que:

Para grande parte da Humanidade, Lennon foi irracionalmente incompreendido em sua simplicidade.

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A Amandeeenha e eu, achamos que seria muito interessante Lennon no divã de Frëud. E você?

Via: Girls Wirelless

Uma resposta to “John no Divã de Frëud”

  1. Lucas Alves Says:

    John era foda!

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